Procuradoria Regional Eleitoral recomenda proibição do uso de fardas em propagandas políticas na Paraíba
O Procurador Regional Eleitoral da Paraíba, Marcos Alexandre Queiroga, expediu uma recomendação determinante para o equilíbrio do pleito de 2026: a proibição do uso de fardas militares, uniformes, insígnias ou distintivos em peças de propaganda eleitoral. A orientação estabelece a abertura de um processo administrativo pelos próximos seis meses e atinge diretamente agentes públicos estaduais e federais, incluindo policiais civis, militares, rodoviários e bombeiros, além de partidos políticos e pré-candidatos.
A fundamentação da Procuradoria baseia-se na necessidade de preservar a neutralidade das instituições de Estado. Segundo o procurador, o uso do fardamento em contextos eleitorais tem o potencial de causar uma “indução psicológica” no eleitor, gerando uma confusão entre a figura do Estado e a candidatura individual. A medida visa evitar que o prestígio institucional das forças de segurança seja utilizado como ferramenta de autopromoção, o que comprometeria a igualdade de chances entre os concorrentes que não detêm tais insumos.
O coordenador do Gaeco-PB, Otávio Paulo Neto, reforçou o coro contra a prática ao classificar o uso de aparatos estatais para fins políticos como uma “espetacularização” da função policial. Em suas redes sociais, ele demonstrou inquietude com a perversão da comunicação pública, argumentando que a atividade policial deve se pautar pela técnica e discrição, e não pela busca de visibilidade eleitoral com recursos públicos. Para o coordenador, a transformação do serviço essencial em produto simbólico de campanha fere a responsabilidade institucional.
Essa movimentação na Paraíba acompanha uma tendência nacional de maior rigor sobre a estética militar na política, fenômeno que se tornou recorrente com a ascensão de grupos de direita e candidatos oriundos das forças de segurança. Recomendações similares já foram aplicadas em estados como Goiás, refletindo uma preocupação da Justiça Eleitoral em desvincular a imagem das forças armadas e policiais de projetos partidários específicos, garantindo que o processo eleitoral ocorra de forma isenta e sem o uso de símbolos de autoridade estatal para captação de votos.
da Redação

