Atlas da Violência 2026: Negros têm 5,5 vezes mais chances de serem assassinados na Paraíba
A Paraíba figura entre os quatro estados do país onde a população negra enfrenta o maior risco de morte violenta, aponta o Atlas da Violência 2026. O relatório, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mostra que um cidadão negro no estado tem 5,5 vezes mais chances de ser vítima de homicídio do que um não negro. O indicador coloca o território paraibano atrás apenas de Alagoas, Amapá e Sergipe na desigualdade racial da letalidade.
O mapeamento revela que o estado contabilizou 925 assassinatos de pessoas negras, o que equivale a uma taxa de 34,1 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes dessa população. Em contrapartida, a taxa de mortalidade entre a população não negra foi de 6,2 por 100 mil, com 88 óbitos registrados nesse recorte. Os índices atuais representam uma piora no cenário em relação ao balanço anterior, quando haviam sido documentados 902 homicídios de pessoas negras, evidenciando um aumento de 2,5% no número absoluto de vítimas e de 1,5% na taxa de mortalidade desse grupo.
A disparidade racial também se estende à análise da violência de gênero. A Paraíba fechou o período com 71 homicídios de mulheres, gerando uma taxa geral de 3,4 mortes por 100 mil habitantes do sexo feminino. Quando os dados são estratificados por raça, o abismo fica evidente: o estado registrou 54 assassinatos de mulheres negras, atingindo uma taxa de 4 mortes por 100 mil. Já entre as mulheres não negras, o índice cai para mais da metade, fixando-se em 1,6 homicídio por 100 mil.
Queda histórica na taxa geral e cidades em alerta
Apesar dos indicadores críticos de vulnerabilidade racial, o Atlas da Violência traz um aspecto positivo ao apontar que a Paraíba alcançou a sua menor taxa geral de homicídios em uma década. Ao todo, o estado computou 1.058 mortes violentas oficiais, estabelecendo uma média de 25,7 assassinatos por 100 mil habitantes. A marca consolida uma retração de 31,8% nos números absolutos de mortes e uma diminuição de 35,6% na taxa proporcional de criminalidade em comparação ao início da série histórica monitorada.
No âmbito municipal, o estudo destaca as estatísticas de João Pessoa, Santa Rita e Patos no ranking das localidades nordestinas com mais de 100 mil habitantes com maior incidência de homicídios estimados, cálculo que soma os crimes registrados oficialmente aos chamados “homicídios ocultos”, que são os casos subnotificados ou com causa mortis não classificada. O levantamento estima que a Capital Paraibana registrou 236 mortes violentas, seguida por Santa Rita com 70 casos e Patos com 28 ocorrências ao longo do período pesquisado.
- Maranguape (CE) — 121 homicídios estimados
- Jequié (BA) — 126 homicídios estimados
- Maracanaú (CE) — 177 homicídios estimados
- Caucaia (CE) — 267 homicídios estimados
- Recife (PE) — 681 homicídios estimados
- Santa Rita (PB) — 70 homicídios estimados
- Fortaleza (CE) — 1.071 homicídios estimados
- João Pessoa (PB) — 236 homicídios estimados
- Patos (PB) — 28 homicídios estimados
da Redação

