Política

Câmara de Campina Grande registra aumento de “sessões relâmpago” em ano eleitoral

O desempenho legislativo na Câmara Municipal de Campina Grande (CMCG) virou motivo de preocupação após levantamentos recentes apontarem um crescimento no número de sessões encerradas precocemente por falta de quórum. Em 2025, a Casa de Félix Araújo realizou 119 sessões ordinárias, das quais 12 (cerca de 10%) duraram menos de 20 minutos. O cenário em 2026, entretanto, indica uma tendência ainda mais acentuada de esvaziamento do plenário, coincidindo com o período de articulações para as eleições de outubro.

A análise detalhada dos dados do ano passado mostra que as chamadas “sessões relâmpago” ocorreram de forma distribuída ao longo dos meses, com picos em fevereiro, março e setembro. Em muitos desses episódios, o expediente chegava a ser aberto e as matérias lidas, mas, diante da ausência do número mínimo de parlamentares para votação ou debates, os trabalhos eram arquivados e a reunião encerrada sem que nenhum vereador fizesse uso da palavra. Houve registros extremos, como em outubro de 2025, quando uma sessão durou apenas um minuto antes de ser interrompida pelo baixo quórum.

Em 2026, os números mostram que a produtividade legislativa caminha para um patamar inferior. Com o início dos trabalhos retardado para o dia 24 de fevereiro, a Casa realizou 23 sessões até o momento, mas cinco delas já foram encerradas logo após a abertura. Esse índice representa 21,73% do total de reuniões deste ano, mais que o dobro da proporção registrada em todo o ano anterior.

A baixa frequência parlamentar é atribuída, nos bastidores políticos, à priorização das agendas eleitorais. Com a aproximação do pleito, os vereadores tendem a intensificar atividades nas bases e compromissos com aliados políticos, deixando as obrigações em plenário em segundo plano. Se o ritmo atual de faltas for mantido, 2026 deve superar 2025 em volume de sessões improdutivas, reforçando as críticas sobre o impacto do calendário eleitoral no funcionamento das instituições públicas na Rainha da Borborema.

da Redação

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