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Cidades não se prepararam para o clima atual, afirma especialista sobre tragédia das chuvas na Paraíba

A Paraíba enfrenta uma sequência de temporais devastadores que já deixaram um rastro de mortes, inundações e milhares de desassistidos em diversas regiões. Somente em João Pessoa, o volume de chuva registrado em 48 horas chegou a 196 milímetros, o que equivale a quase 70% da média histórica esperada para todo o mês de maio. Para o climatologista Ranyére Nóbrega, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), o cenário catastrófico é um reflexo direto de cidades que cresceram de forma desordenada e sem planejamento urbano adequado para lidar com eventos extremos.

O especialista explica que o assoreamento dos rios, a falta de drenagem eficiente e a ocupação de áreas vulneráveis intensificam a violência dos eventos climáticos. Segundo Nóbrega, o fenômeno atual é impulsionado pela Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que está muito mais ativa este ano, provocando chuvas intensas em curtos intervalos de tempo. Ele alerta ainda que o aquecimento global tem tornado esses extremos mais frequentes, atingindo severamente as populações mais vulneráveis.

O impacto nas cidades é visível: o nível do Rio Paraíba subiu mais de sete metros na região de Santa Rita, contribuindo para que o estado some 37,4 mil pessoas afetadas e 31 municípios em situação de emergência. O balanço parcial da crise já contabiliza duas mortes em Guarabira e mais de 3 mil pessoas fora de suas casas. Apesar da previsão de redução no volume de água nos próximos dias, o solo encharcado mantém o risco elevado para novos deslizamentos e alagamentos.

Para mitigar o sofrimento das famílias atingidas, diversos pontos de arrecadação foram estabelecidos para o recebimento de doações:

  • João Pessoa: Centro de Cooperação da Cidade (Altiplano), Centro Cultural Tenente Lucena (Mangabeira) e shoppings Manaíra e Mangabeira.
  • Casas da Cidadania na Capital: Unidades localizadas nos bairros Valentina, Mangabeira, Bessa, Jaguaribe, Tambiá e Manaíra.
  • Região Metropolitana: Postos em Cabedelo, Bayeux, Santa Rita, Conde, Alhandra e Pitimbu.
  • Interior do Estado: Unidades em Campina Grande (Partage e Citymix), Guarabira, Sapé, Mamanguape, Itabaiana, Mari, Ingá e Queimadas.

da Redação

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