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Comunidade quilombola Mituaçu fica isolada e contabiliza perdas após enchentes no Conde

A comunidade quilombola Mituaçu, localizada no município do Conde, Litoral Sul do estado, enfrenta dias de isolamento e prejuízos materiais severos em decorrência das chuvas torrenciais que atingem a Paraíba desde a última sexta-feira (1º). Próxima à margem do Rio Gramame, a localidade viu o nível da água subir a patamares históricos, invadindo residências e destruindo móveis, eletrodomésticos e plantações que garantiam a subsistência de diversas famílias.

Moradores relatam que, embora o transbordamento do rio seja um evento anual, a força e a rapidez da enchente deste ano foram sem precedentes. Ruth Neide, uma das residentes afetadas, descreveu o cenário de devastação ao retornar para sua casa após o recuo parcial da água, onde tenta recuperar pertences acumulados ao longo de anos de trabalho. O agricultor Carlos Allan também confirmou a perda total de três hectares de cultivos de mandioca, milho e feijão, enquanto outros moradores destacaram a impossibilidade de buscar atendimento médico ou adquirir mantimentos devido ao alagamento das três estradas de barro que dão acesso à comunidade.

A vulnerabilidade de Mituaçu é apontada por especialistas como um reflexo do racismo ambiental, conceito que descreve como populações negras, indígenas e quilombolas são desproporcionalmente impactadas por desastres climáticos devido a processos históricos de exclusão habitacional. Segundo Mikaele Farias, porta-voz pelo clima da ONU-BR, o fato dessas comunidades estarem frequentemente empurradas para áreas de risco, com saneamento precário e infraestrutura deficitária, é um resultado direto da desigualdade estrutural. Dados do governo estadual reforçam a gravidade do cenário, com mais de 37 mil pessoas afetadas em toda a Paraíba e 31 municípios em situação de emergência, incluindo o Conde.

Além dos fatores naturais, a comunidade atribui o agravamento das enchentes ao assoreamento do Rio Gramame e à pressão imobiliária nas margens, que compromete o escoamento da água. Diante da situação, os moradores de Mituaçu cobram políticas públicas eficazes e obras de infraestrutura que interrompam o ciclo anual de perdas e reconstrução forçada. Até a última atualização desta reportagem, o quilombo permanecia parcialmente isolado, aguardando intervenções para a recuperação das vias de acesso.

da Redação

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