Correios reduzem investimentos na PB e tem o pior desempenho operacional em cinco anos
O impacto da crise financeira que atinge os Correios em todo o país já provoca efeitos significativos na Paraíba. Dados obtidos pela reportagem via Lei de Acesso à Informação mostram que os investimentos na Superintendência estadual despencaram em 2025 e coincidem com a maior queda no Índice de Qualidade Operacional (IQO) dos últimos cinco anos.
Até setembro deste ano, a estatal aplicou apenas R$ 1,2 milhão em áreas essenciais como segurança, tecnologia, veículos, bens e obras. O valor é muito inferior aos R$ 9 milhões investidos em 2024 e representa o menor patamar desde 2020, mesmo considerando possíveis atualizações nos últimos meses do ano.

O setor de tecnologia foi o mais afetado: o montante aplicado caiu de pouco mais de R$ 2 milhões em 2023 para apenas R$ 29 mil em 2025 — retração de 99% em relação a 2024. A compra de veículos também sofreu corte total, passando de R$ 780,9 mil no ano passado para zero em 2025. Nenhuma das áreas analisadas registrou aumento de recursos neste ano.
A redução brusca dos investimentos acompanha a queda no IQO, indicador que avalia prazos de entrega, logística, funcionamento de agências e atendimento. O índice caiu dez pontos de 2024 para 2025, saindo de 93,53% para 82,96%, na maior variação negativa do período recente. O histórico revela oscilações importantes: 91,55% (2020), 87,78% (2021), 94,45% (2022), 89,89% (2023), 93,53% (2024) e 82,96% (2025). Para a própria estatal, os números reforçam a necessidade de acompanhamento constante e aprimoramento dos processos internos.
Os cortes refletem a crise nacional enfrentada pelos Correios. Segundo reportagem do Jornal Nacional, a empresa deverá responder por mais da metade do prejuízo previsto para todas as estatais federais em 2025. O déficit, que já ultrapassou R$ 4 bilhões no primeiro semestre, pode alcançar R$ 10 bilhões até dezembro. Nos últimos dez anos, a empresa acumulou prejuízo em cinco deles.
Em nota, os Correios afirmaram que operam normalmente no estado, mantendo atendimento nas 213 agências e rotina regular de entregas. A empresa reconheceu, porém, que adota medidas de otimização de custos dentro de um plano de sustentabilidade e eficiência operacional. Segundo a estatal, essas ações são necessárias para o equilíbrio financeiro, mas não teriam impacto no atendimento ao usuário.
da Redação
