Defesa de Gilberto Gil diz que declaração de padre gerou “onda de racismo religioso”

A defesa do cantor e compositor Gilberto Gil e da família da cantora Preta Gil, que acionaram na Justiça o padre Danilo César, de Areial, município do Agreste da Paraíba, alega que as declarações feitas por ele durante uma missa provocaram uma onda de racismo e intolerância religiosa nas redes sociais. O processo, com pedido de indenização de R$ 370 mil, será julgado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), onde residem os familiares da artista, e também inclui a Diocese de Campina Grande como citada.
Segundo a defesa, o padre questionou a atuação de entidades de outras religiões ao afirmar em homilia: “cadê esses orixás que não salvaram Preta Gil?”. As falas, de acordo com os advogados, não se limitaram à igreja, repercutindo em postagens na internet e gerando comentários de cunho preconceituoso, que muitas vezes concordavam com o que o religioso havia declarado. O material anexado ao processo inclui vídeos e publicações no Instagram que evidenciam a disseminação de intolerância religiosa após o episódio.
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Os advogados de Gilberto Gil também destacam que a Diocese de Campina Grande, responsável pela paróquia de Areial, teria “referendado” as declarações do padre, o que reforçaria a legitimidade do pedido de indenização. Além disso, a defesa afirma que foi oferecida uma chance de retratação extrajudicial, que não foi aceita pelo religioso. Em depoimento à Polícia Civil, o padre teria confirmado as declarações, alegando que apenas professava a própria fé, sem intenção de desrespeitar outras religiões ou a memória da artista.
A defesa argumenta ainda que o contexto em que as falas ocorreram, em um momento de luto pela morte de Preta Gil, agravou a repercussão negativa e a sensação de ofensa, ampliando o impacto das declarações. Os advogados enfatizam que a ação busca reparar não apenas danos materiais, mas também morais e sociais, diante da propagação de mensagens preconceituosas que incentivaram intolerância religiosa.
Procurada pela reportagem, a Diocese de Campina Grande informou não ter sido notificada oficialmente do processo e, por isso, não vai comentar o caso por enquanto, mas disse que o setor jurídico “está resolvendo”.
da Redação
