Delegada alerta que feminicídio é precedido por ciclo de violência e cobra reação da sociedade
O Brasil já superou a marca de mil feminicídios registrados em 2025, um dado que expõe a gravidade da violência contra a mulher no país. No mesmo período, mais de 2,7 mil mulheres sobreviveram a tentativas de assassinato entre janeiro e setembro, evidenciando a dimensão do problema e a necessidade de enfrentamento coletivo.
Na avaliação de Sileide Azevêdo, coordenadora das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher na Paraíba, a responsabilidade de identificar e reagir a situações de violência não pode recair apenas sobre a vítima. Para ela, é essencial que toda a sociedade esteja atenta aos sinais e atue de forma preventiva. A coordenadora ressalta que o enfrentamento exige o envolvimento de homens e mulheres, com atenção ao que acontece no convívio familiar e comunitário.
Sileide também destaca que o feminicídio não é um ato isolado. Segundo ela, o crime costuma ser precedido por uma sequência de agressões e episódios de violência ao longo do relacionamento, muitas vezes naturalizados ou ignorados. Por isso, a interrupção desse ciclo depende de vigilância, acolhimento e denúncia em estágios iniciais.
Na Paraíba, dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam 26 feminicídios registrados entre janeiro e outubro de 2025, em diferentes municípios do estado. Os números reforçam a urgência de políticas públicas e ações permanentes de prevenção.
Para a coordenadora das Deams, denunciar é um passo decisivo. Ela enfatiza que é preciso romper com a ideia de que a mulher “aceita” a violência, lembrando que muitas permanecem em relações abusivas por estarem presas a um ciclo difícil de romper. O uso dos canais de denúncia e o apoio da sociedade são apontados como caminhos fundamentais para salvar vidas e reduzir a violência de gênero no país.
da Redação
