Em carta, mulher que pichou estátua do STF pede desculpa por “ato tão desprezível”
A mulher responsável por pichar a estátua “A Justiça”, que fica em frente ao prédio do Supremo Tribunal Federal (STF), durante os atos golpistas do 8 de janeiro de 2023, pediu desculpa ao ministro Alexandre de Moraes, em uma carta, pelo que chamou de “ato tão desprezível”. O texto foi escrito à mão por Débora Rodrigues dos Santos em outubro do ano passado.
Ela escreveu na estátua “Perdeu, mané”, frase dita pelo ministro Luís Roberto Barroso (hoje presidente do STF) a um manifestante bolsonarista que o abordou em Nova York, em novembro de 2022. A frase também foi pichada em outros pontos do STF no 8 de janeiro.
No documento, endereçado a Moraes, Santos diz que foi a Brasília por acreditar que seria uma “manifestação pacífica e sem transtornos”, mas percebeu que o “movimento foi ficando acalorado”.
“Repudio o vandalismo, contudo eu estava ali porque eu queria ser ouvida, queria maiores explicações sobre o resultado das eleições tão conturbadas de 2022. Por isso no calor do momento cheguei a cometer aquele ato tão desprezível (pichar a estátua)”, escreveu ela.
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Na semana passada, o STF começou a julgar a ação penal contra Santos. Moraes, que é o relator, votou para condená-la a 14 anos de prisão, e foi acompanhado pelo ministro Flávio Dino. Luiz Fux, contudo, pediu vista e interrompeu o julgamento. Nesta quarta, Fux afirmou que irá propor uma pena menor.
Na carta, Santos afirmou que um homem, que ela não conhecia, começou a escrever na estátua, mas que pediu para que ela continuasse porque sua letra seria ilegível. “Talvez tenha me faltado malícia para rejeitar o ‘convite’, o que não justifica minha atitude, me arrependo deste ato amargamente, pois causou separação entre eu e minha família”, disse ela.
Ela também diz que “não sabia da importância daquela estátua, nem que ela representa a instituição do STF, tampouco sabia que seu valor é de dois milhões de reais”. “Se eu soubesse jamais teria a audácia de sequer encostar nela, minha intenção não era ferir o Estado Democrático de Direito”, afirmou.
Em seu depoimento no processo, em novembro, Santos reforçou o relato:
“Quando eu me deparei lá em Brasília, no movimento, eu não fazia a ideia do bem financeiro e do bem simbólico daquela estátua. Quando eu estava lá já tinha uma pessoa fazendo a pichação. Faltou talvez um pouco de malícia da minha parte. Porque ele começou a escrita e falou assim: ‘Eu tenho a letra muito feia, moça, você pode me ajudar a escrever?’ E aí eu continuei fazendo a escrita da frase dita pelo ministro Barroso”, relatou.
com O Globo