Empresário detido na Paraíba é apontado como facilitador financeiro de MC Ryan e operador de fachada em esquema bilionário
O empresário Guilherme Ricardo Fuhr, preso nessa quarta-feira (15) em um hotel em João Pessoa, é apontado pela Polícia Federal como peça-chave na estrutura financeira desarticulada pela Operação NarcoFluxo. Natural de Santa Catarina, Fuhr é identificado nas investigações da 5ª Vara Federal de Santos como um “facilitador financeiro” estratégico para a organização criminosa, que é acusada de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão em transações ilegais e lavagem de dinheiro em menos de dois anos.
De acordo com o inquérito da PF, o empresário controlava as empresas Digito Intermediação e GRF Assessoria LTDA, que funcionavam como entidades de fachada para viabilizar a circulação e ocultação de recursos ilícitos. A função de Fuhr no chamado “núcleo financeiro-empresarial” era dar aparência lícita ao dinheiro oriundo de apostas ilegais e jogos de azar por meio de técnicas como a fragmentação de depósitos e a triangulação bancária. Além da engenharia financeira, os documentos o identificam como o “financiador de despesas pessoais” de MC Ryan SP, custeando o estilo de vida do funkeiro com recursos do esquema.
A defesa de Fuhr optou por não se manifestar sobre as acusações ou sobre a participação dele no grupo. Com a detenção em solo paraibano, ele deverá ser transferido para o sistema prisional de São Paulo, onde o processo tramita sob sigilo.
Operação NarcoFluxo
A Operação NarcoFluxo, deflagrada pela Polícia Federal com apoio da PM de São Paulo, mobilizou cerca de 200 agentes para cumprir 39 mandados de prisão e 45 de busca e apreensão em oito estados e no Distrito Federal. O objetivo central é desarticular uma rede que utilizava a indústria do entretenimento e o showbusiness digital como “escudo de conformidade” para lavar dinheiro proveniente de apostas clandestinas, rifas digitais e até do tráfico internacional de drogas.
O esquema funcionava mesclando receitas legítimas de produtoras musicais e marketing digital com capitais ilícitos, utilizando influenciadores de massa para conferir credibilidade às movimentações. Entre os presos estão figuras de grande projeção pública, como os MCs Ryan SP e Poze do Rodo, o criador da página Choquei, Raphael Sousa Oliveira, e o influenciador Chrys Dias. Além das prisões, a Justiça Federal determinou o bloqueio de ativos que podem chegar a R$ 2,26 bilhões e o sequestro de bens de luxo, incluindo veículos avaliados em R$ 20 milhões e joias com referências ao narcotráfico.
da Redação
