Policial

Falsa advogada que atendia presos é presa após fraude em inscrição da OAB-PB

Uma mulher de 55 anos foi presa nesta quinta-feira (18) suspeita de atuar como falsa advogada e prestar atendimento jurídico a presos, incluindo lideranças de facções criminosas, utilizando uma carteira profissional falsificada. A prisão aconteceu no município de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, durante a Operação Falsária, deflagrada pela Polícia Civil.

De acordo com as investigações, Tatiana Barbosa do Nascimento teria fraudado a inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil da Paraíba (OAB-PB). Segundo a polícia, ela forjou um certificado de aprovação no Exame da Ordem com data de 1992, apesar de nunca ter sido aprovada. A suspeita concluiu o curso de Direito apenas em 2015.

Com o documento falso, produzido a partir de um modelo encontrado na internet, Tatiana solicitou por e-mail, em outubro de 2017, a emissão de uma segunda via do certificado junto à OAB-PB. A partir disso, conseguiu a inscrição como advogada e a carteira funcional de forma remota, passando a atuar normalmente no sistema prisional.

As investigações apontam que a falsa advogada realizou ao menos 218 atendimentos a internos do sistema penitenciário capixaba, a maioria em unidades de segurança máxima. Entre os presos atendidos estariam integrantes e lideranças de facções como Comando Vermelho (CV), Primeiro Comando da Capital (PCC), Primeiro Comando de Vitória (PCV) e Associação Família Capixaba (AFC).

A operação foi conduzida pela Delegacia de Polícia de Marataízes, com apoio da Inteligência da Polícia Penal, e acompanhada por um advogado representante da OAB do Espírito Santo. Na residência da suspeita, os policiais apreenderam a carteira falsa da OAB, documentos e bilhetes escritos por detentos.

Em depoimento, Tatiana confessou a fraude documental, mas negou envolvimento direto com organizações criminosas. Ela alegou ainda que teria sido coagida a se casar com um dos presos e a atender outros internos indicados por ele, sob ameaça de morte.

A mulher vai responder pelos crimes de fraude, uso de documento público falso e participação em organização criminosa. Até a publicação desta matéria, a OAB da Paraíba e a OAB do Espírito Santo não haviam se manifestado oficialmente, e a defesa da suspeita não foi localizada.

da Redação

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