Federação Nacional de Combustíveis divulga carta aberta e nega culpa dos postos na alta de preços
A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes, em conjunto com diversas entidades representativas do setor, divulgou nessa sexta-feira (27) uma carta aberta em defesa de um debate técnico e responsável sobre a formação de preços no Brasil. O documento surge em um momento de instabilidade e contesta a narrativa que responsabiliza os postos revendedores pelas oscilações nos valores das bombas. As entidades reforçam que o varejo é apenas o último elo de uma cadeia complexa que envolve produção, refino, importação e distribuição, sendo o segmento com menor capacidade de influência no preço final pago pelo consumidor.
De acordo com o manifesto, a revenda de combustíveis no Brasil é um setor pulverizado e altamente competitivo, composto por mais de 40 mil postos que geram centenas de milhares de empregos diretos. O texto destaca que a margem operacional dos estabelecimentos é de apenas alguns centavos por litro, valor que deve cobrir custos fixos elevados, como folha de pagamento, encargos trabalhistas, energia e manutenção. Para as entidades, os verdadeiros vilões dos preços são fatores externos ao controle do dono do posto, como as variações no mercado internacional do petróleo, a taxa de câmbio, os custos logísticos e a pesada carga tributária composta por ICMS, PIS e Cofins.
A carta também faz críticas contundentes ao que classifica como fiscalizações abusivas e narrativas distorcidas que expõem empresários sem indícios concretos de irregularidades. O setor defende que as ações de controle devem ser técnicas e respeitosas, focadas na apuração de fatos e não em pressões públicas infundadas. Como solução para a volatilidade do mercado, as entidades sugerem o fortalecimento do refino nacional para reduzir a dependência de importações e a criação de mecanismos regulatórios mais estáveis. O documento finaliza reafirmando que o segmento é parte fundamental da arrecadação tributária e do desenvolvimento do país, exigindo um debate baseado em dados e responsabilidade institucional.
da Redação
