Policial

Fraude no Judiciário quase reduz pena de preso da PB1 pela metade na Paraíba

Uma tentativa de fraude dentro do sistema do Judiciário paraibano quase resultou na redução pela metade da pena de um detento da Penitenciária de Segurança Máxima PB1, em João Pessoa. O caso veio à tona durante sessão do Órgão Especial do Tribunal de Justiça da Paraíba  (TJPB) realizada na última quarta-feira (28).

Leia mais: TJ e Polícia Civil investigam fraude com decisão falsa para beneficiar preso na Paraíba

O preso cumpre pena de 8 anos e 7 meses por tentativa de homicídio. No entanto, uma suposta revisão criminal, inserida de forma irregular no sistema, determinava a diminuição da condenação para 4 anos e 8 meses, com base em argumentos jurídicos falsos.

De acordo com as informações apuradas, o documento utilizava indevidamente o nome do desembargador Joás de Brito Pereira, atribuindo a ele uma decisão que nunca foi proferida. No texto fraudulento, os responsáveis alegavam erro na dosimetria da pena e defendiam a reavaliação da sentença.

A irregularidade só foi percebida após a juíza da Vara de Execuções Penais da Capital, Andrea Arcoverde, identificar inconsistências no documento. Diante da suspeita, ela entrou em contato diretamente com o desembargador, que negou ter assinado ou emitido qualquer decisão naquele sentido.

Confirmada a falsificação, o caso passou a ser investigado pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO), da Polícia Civil, que busca identificar quem produziu o documento e como ele foi inserido nos sistemas do Judiciário.

A investigação também apura se houve participação de servidores, intermediários ou do próprio apenado no esquema. Até o momento, não há confirmação de suspeitos formalmente identificados.

Por se tratar de uma apuração em andamento, o nome do preso não foi divulgado, com o objetivo de preservar o andamento das investigações e evitar interferências no trabalho policial.

Histórico criminal
Além da condenação por tentativa de homicídio, o detento possui outros registros na Justiça. Em 2020, ele foi alvo de um processo por homicídio qualificado que resultou no desaforamento do júri, quando o julgamento foi transferido para outra comarca por questões de segurança.

Segundo informações do Judiciário, à época, havia preocupação com a integridade dos envolvidos no processo e com a lisura do julgamento.

O preso também é apontado, em investigações paralelas, como uma das lideranças do tráfico de drogas em uma cidade do interior do estado, o que reforça a gravidade do caso.

Sistema sob alerta
O episódio acendeu um alerta dentro do TJPB sobre a necessidade de reforçar os mecanismos de segurança digital e controle interno, especialmente em processos criminais sensíveis.

A tentativa de fraude só não teve efeito prático porque foi identificada a tempo. Caso tivesse passado despercebida, poderia ter resultado na liberação antecipada de um condenado por crime grave.

A apuração segue em andamento e deve apontar, nos próximos dias, se o esquema envolveu uma ação isolada ou uma estrutura mais ampla dentro ou fora do sistema judicial.

da Redação

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