Policial

Justiça condena médico Fernando Cunha Lima a 20 anos de prisão por estupro de vulnerável

A Justiça da Paraíba condenou o pediatra Fernando Paredes Cunha Lima  a 20 anos de reclusão em regime fechado pelo crime de estupro de vulnerável, em decisão proferida pela juíza Virgínia Gaudêncio de Novais, da Vara de Crimes contra Pessoas Hipervulneráveis de João Pessoa. A sentença fundamenta-se em abusos cometidos contra uma criança durante consultas médicas realizadas nos meses de março e abril de 2021. A magistrada aplicou o entendimento de concurso material, tratando as ocorrências como crimes separados devido ao padrão de reincidência observado na conduta do profissional.

Na mesma decisão, o médico foi absolvido de uma acusação referente a outra menor de idade, uma vez que o conjunto probatório foi considerado insuficiente para gerar a certeza necessária à condenação, aplicando-se o princípio jurídico do benefício da dúvida em favor do réu. Fernando Cunha Lima cumpre prisão domiciliar desde dezembro de 2025, após ter passado um período detido no Presídio Especial do Valentina. O histórico do caso revela que o pediatra chegou a ser considerado foragido em novembro de 2024, sendo capturado apenas em março de 2025 no estado de Pernambuco antes de ser transferido para a Paraíba.

O escândalo envolvendo o médico ganhou repercussão em julho de 2024, quando a mãe de uma paciente denunciou ter presenciado o momento em que ele tocou as partes íntimas da criança durante um atendimento. A partir desse relato, uma série de outras vítimas procuraram a Polícia Civil, incluindo uma sobrinha do pediatra, que revelou ter sofrido abusos ainda na década de 90. No total, Fernando Cunha Lima foi denunciado por crimes contra seis crianças que eram suas pacientes, o que resultou inclusive na cassação definitiva de seu registro profissional pelo Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB).

A defesa do médico não se pronunciou sobre o teor da nova condenação até o fechamento desta reportagem. Enquanto isso, o caso segue gerando forte debate público, especialmente após denúncias recentes de familiares das vítimas sobre supostos descumprimentos das medidas da prisão domiciliar por parte do condenado. A sentença de 20 anos representa um marco jurídico no enfrentamento a crimes de abuso infantil cometidos por profissionais de saúde no estado, reforçando a gravidade das acusações que pesam sobre o ex-pediatra desde o surgimento das primeiras denúncias formais.

da Redação

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