Justiça da Argentina autoriza extradição de Antônio Neto e Fabrícia Farias, sócios da Braiscompany
A Justiça Federal da Paraíba (JFPB) confirmou, nesta quarta-feira (3), que a Justiça da Argentina autorizou a extradição de Antônio Inácio da Silva Neto, conhecido como Antônio Ais, e de sua esposa, Fabrícia Farias, sócios da empresa de criptoativos Braiscompany. O casal, no entanto, ainda pode recorrer da decisão no próprio país, e não há data definida para o retorno ao Brasil.
Antônio e Fabrícia estão presos desde 29 de fevereiro de 2024, na cidade de Escobar, após um ano foragidos. Ambos aguardam o fim do processo de extradição em prisão domiciliar, autorizada pela Justiça argentina mediante fiança e medidas cautelares, considerando que são pais de duas crianças sem familiares no país.
De acordo com a Polícia Federal (PF), os dois desviaram cerca de R$ 1,11 bilhão e fizeram mais de 20 mil vítimas na captação de investimentos para a Braiscompany, empresa que prometia rendimentos de até 8% ao mês, um retorno considerado irreal pelo mercado financeiro. O esquema atraiu milhares de investidores, especialmente em Campina Grande, que entregaram suas economias pessoais confiando no modelo de “aluguel de criptomoedas” oferecido pela empresa.
O delegado Guilherme Torres, responsável pela investigação, afirmou que não há como prever o prazo para a conclusão do processo de extradição, pois os trâmites dependem da legislação argentina. Ele lembrou que um caso semelhante, no mesmo país, durou cerca de três meses entre a autorização e o retorno do investigado ao Brasil.
O casal já foi condenado no Brasil por crimes contra o sistema financeiro e deve cumprir penas que, somadas, chegam a 150 anos de prisão. Segundo decisão do Juizado Criminal e Correcional Federal da Argentina, ambos deverão permanecer monitorados por tornozeleira eletrônica e não podem deixar a residência onde cumprem a prisão domiciliar. Autoridades locais foram orientadas a reforçar a vigilância em aeroportos e portos.
Com a extradição autorizada e ainda sujeita a recurso, o processo segue sob acompanhamento das autoridades brasileiras e argentinas, que devem definir os próximos passos após o encerramento das possibilidades de contestação.
da Redação
