Ministra cobra votação de projeto que criminaliza misoginia e anuncia novo plano para mulheres
A ministra das Mulheres, Mácia Lopes, afirmou nesta terça-feira (15) que tem pressionado o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, a colocar em votação o projeto que criminaliza a misoginia.
A proposta já foi aprovada por unanimidade no Senado. Segundo a ministra, Hugo Motta tem se comprometido a analisar o texto, mas enfrenta resistência de diferentes bancadas na Câmara.
“Já conversei e tenho reiterado com o presidente Hugo Motta. Ele assume sempre esse compromisso, e a dificuldade está exatamente nessa relação com as bancadas”, afirmou Márcia.
Ela disse que continuará cobrando o presidente da Casa e que pretende voltar a procurá-lo, inclusive por meio do WhatsApp, para reforçar a necessidade de votação. Para a ministra, a tramitação não deve ser adiada em razão do calendário eleitoral.
“Não precisa esperar a eleição. É urgente isso acontecer”, declarou.
Durante a entrevista, Márcia também criticou a oposição de setores políticos e religiosos ao projeto. Na avaliação dela, há contradição entre grupos que afirmam defender a vida e, ao mesmo tempo, resistem à aprovação de uma lei voltada à proteção das mulheres.
“Não é possível fazer a defesa da vida das mulheres e não conseguir desencadear um processo para aprovar essa lei”, disse.
A ministra defendeu ainda que as igrejas participem do debate sobre a proposta. Para ela, a criminalização da misoginia pode se tornar um marco no enfrentamento à violência contra as mulheres.
Márcia também apresentou ações do Governo Federal para combater o feminicídio e outras formas de violência, além de mencionar a retomada de políticas públicas direcionadas à população feminina.
“Somos 109 milhões de mulheres no Brasil e, na Paraíba, mais de 2 milhões e 300 mil são mulheres. Portanto, as mulheres têm uma participação efetiva na sociedade”, afirmou.
De acordo com a ministra, as políticas federais atuam em duas frentes: a ampliação da autonomia das mulheres e a criação de mecanismos de proteção. Entre as medidas citadas estão iniciativas relacionadas à autonomia econômica, à política de cuidados e à formação.
“A gente trabalha sempre nessas duas dimensões: promover a vida das mulheres na autonomia econômica, na política de cuidados, na formação, e ao mesmo tempo proteger as mulheres”, declarou.
O governo também pretende apresentar, até o fim deste ano, uma nova versão do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres. A proposta deverá reunir diretrizes para orientar as ações públicas voltadas ao segmento.
Márcia Lopes afirmou que o Ministério das Mulheres busca ampliar o diálogo com diferentes setores da sociedade. Ela citou, entre as iniciativas, a criação de fóruns destinados a mulheres idosas, com deficiência, moradoras da zona rural e trabalhadoras.
Segundo a ministra, o objetivo é fortalecer as políticas públicas e enfrentar o machismo, a misoginia e as diversas formas de violência contra as mulheres.
da Redação
