Paraíba tem alta de 60% em reservatórios críticos e cenário preocupa órgãos hídricos
A situação hídrica da Paraíba entrou em um estágio mais delicado no início de 2026. Levantamento recente aponta que 45 reservatórios do estado operam atualmente em nível crítico, número que representa um aumento de 60% em relação ao mesmo período do ano passado. Hoje, apenas dois açudes estão sangrando e somente 12 mantêm volumes considerados normais.
Em janeiro de 2025, esse quadro era menos severo, com 28 reservatórios classificados como críticos. A mudança, segundo a Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa), reflete o baixo volume de chuvas registrado ao longo de 2025, especialmente em áreas do interior.
De acordo com o subgerente de Monitoramento Quali-Quantitativo da Aesa, Wellington Barbosa, o cenário atual ultrapassa o padrão esperado para o período. Ele explica que vários mananciais já vinham operando em condição limite e acabaram não se recuperando por falta de recarga hídrica suficiente.

O Sertão é apontado como uma das regiões mais afetadas. Em Patos, por exemplo, o açude Farinha está completamente seco e o Jatobá opera com cerca de 10% da capacidade, situação que já interfere no abastecimento e no cotidiano da população.
Apesar do agravamento, a Aesa avalia que a transposição do Rio São Francisco tem sido fundamental para reduzir impactos mais severos em parte do estado. O órgão mantém acompanhamento diário dos níveis dos reservatórios para antecipar medidas em caso de agravamento da crise.
Além da escassez de água acumulada nos mananciais, o Sertão paraibano também enfrenta alertas frequentes de baixa umidade do ar. Dados recentes indicam índices entre 20% e 30%, reforçando o cenário de estiagem prolongada.
A Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) foi procurada para informar se a redução dos volumes já provoca alterações no abastecimento à população, mas ainda não se pronunciou.
da Redação

