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Projeto ambiental prevê estação para recuperar Açude Velho após crise ecológica

A sequência de mortes de peixes no Açude Velho, em Campina Grande, acelerou a elaboração de um plano de recuperação do reservatório. Como resposta ao problema, está em fase de preparação a implantação de uma estação de tratamento de água, integrada a um conjunto de obras voltadas à requalificação do espaço.

A proposta é coordenada por pesquisadores da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) em parceria com a Prefeitura e a Fundação Parque Tecnológico da Paraíba. O modelo prevê duas estruturas interligadas: uma instalada no próprio açude, responsável pelo tratamento contínuo da água, e outra no campus universitário, utilizada para testes, ajustes técnicos e acompanhamento científico.

O sistema foi desenvolvido para enfrentar um dos principais fatores de degradação do reservatório: o acúmulo de matéria orgânica no fundo. Esse material, ao se decompor, gera gases tóxicos e compromete o equilíbrio ambiental, favorecendo episódios recorrentes de mortandade da fauna aquática e a propagação de odores.

De acordo com os responsáveis pelo projeto, o tratamento não funcionará de forma isolada. Ele integra um pacote mais amplo, que inclui dragagem, drenagem e intervenções urbanísticas no entorno do açude. A meta é que essas ações avancem simultaneamente, reduzindo o tempo de recuperação do espaço.

A previsão é que a licitação da estação de tratamento seja iniciada ainda no primeiro semestre. Mesmo com o cronograma em andamento, os técnicos alertam que os resultados ocorrerão de forma progressiva, já que processos ambientais exigem tempo para estabilização.

O funcionamento do sistema prevê a captação da água do reservatório, sua passagem por etapas de filtragem, oxigenação e controle químico, antes da devolução ao açude. Com o reaproveitamento contínuo, a tendência é a redução gradual da turbidez, do mau cheiro e da presença de substâncias nocivas.

Paralelamente, pesquisadores da UFCG também estudam alternativas baseadas em soluções naturais, como estruturas flutuantes com vegetação capaz de absorver poluentes. Esse método, inspirado em processos naturais de purificação, pode complementar o tratamento convencional e contribuir para o paisagismo.

A crise ambiental no Açude Velho mobilizou órgãos de fiscalização e investigação, como o Ministério Público, a Polícia Civil e a Defensoria Pública. Apurações também analisam a influência do lançamento irregular de esgoto em canais que deságuam no reservatório.

Em avaliação técnica, a prefeitura apontou que o episódio mais recente de mortandade está associado a um fenômeno climático que provoca a liberação de gases tóxicos a partir dos sedimentos acumulados ao longo de décadas.

Agentes de limpeza da prefeitura fazem limpeza paliativa e periódica no Açude Velho — Foto: Reprodução/TV Paraíba

Símbolo histórico de Campina Grande, o Açude Velho deixou de ser fonte de abastecimento há décadas, mas permanece como referência cultural, turística e esportiva. Atualmente, o fornecimento de água da cidade depende do Açude Epitácio Pessoa, em Boqueirão.

Com a implantação das medidas previstas, a expectativa dos pesquisadores é que o reservatório passe por um processo consistente de recuperação, reduzindo riscos ambientais e fortalecendo sua função como espaço de convivência urbana.

da Redação

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