Suboficial da reserva que agrediu filho cadeirante em JP acumula denúncias na Marinha por mau comportamento
Gravações captadas de um circuito de vigilância mostraram o exato momento em que um jovem com deficiência física foi agredido com socos pelo próprio pai no estacionamento de um residencial no bairro do Bessa, na zona leste de João Pessoa. O responsável pela agressão, identificado como o suboficial da reserva Antonio Luis Alves de Sena, tornou-se alvo de um inquérito instaurado pela Polícia Civil para apurar enquadramentos nos crimes de tortura ou lesão corporal decorrente de violência doméstica.
Os registros das agressões ocorreram por volta de 1h da madrugada de quarta-feira (29). Horas após as imagens ganharem repercussão pública nas redes sociais, o militar aposentado apresentou-se espontaneamente na Central de Polícia Civil, no bairro do Geisel. Contudo, como a apresentação ocorreu aproximadamente 11 horas depois do fato, a Polícia Militar avaliou que a ausência de perseguição ininterrupta inviabilizava a prisão em flagrante por falta de amparo legal. O investigado optou por manter-se em silêncio por orientação jurídica.
O histórico de convivência comunitária do militar da reserva já havia gerado uma representação formal enviada pela administração do prédio à Capitania dos Portos da Paraíba. A documentação encaminhada à autoridade militar inclui um dossiê com relatos de condutas inadequadas e riscos à segurança dos condôminos em decorrência do hábito de ostentar porte de arma de fogo. Em nota, a representação da Marinha informou ter repassado os questionamentos ao setor responsável, prevendo um retorno no prazo de até cinco dias úteis.
O levantamento juntado pelos moradores expõe um laudo extraído de processo público que atesta que o militar é diagnosticado com transtorno de ansiedade generalizada grave, associado a sentimento de perseguição e episódios de surto psicológico. Um dos eventos anexados no relatório data de 6 de junho deste ano, ocasião em que a Polícia Militar precisou ser acionada para conter alterações no local. A Polícia Civil dá prosseguimento aos procedimentos investigativos e à análise de registros complementares para instruir o caso.
da Redação
