TJPB adia julgamento de recurso do prefeito afastado de Cabedelo por ajustes no processo
O Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) adiou nesta quarta-feira (9) a análise do recurso apresentado pelo prefeito afastado de Cabedelo, Edvaldo Neto (Avante), que buscava retornar ao cargo. O processo, sob relatoria do desembargador Ricardo Vital de Almeida, foi retirado de pauta durante sessão itinerante realizada em Monteiro, no Cariri paraibano.
Segundo o relator, o adiamento se deu pela necessidade de realizar revisões consideradas essenciais antes da apresentação do voto. “Eu pedi licença à vossa excelência [o presidente da Corte, Fred Coutinho] para fazer uma derradeira revisão. É um agravo interno, o 11º da pauta. Eu estou adiando por necessidade imprescindível de alguns ajustes. Eu não traria, nem qualquer um de nós, um voto com qualquer instabilidade no texto. Para fazer esse ajuste, eu estou adiando”, afirmou Ricardo Vital de Almeida.
O mesmo processo reúne recursos de outros três envolvidos no caso: o ex-secretário de Gestão Governamental de João Pessoa, Luciano Junior da Silva; Aldecir Monteiro da Silva, proprietário e sócio formal do grupo Lemon; e Diego Carvalho Martins, ex-procurador-geral do município. Nenhuma nova data foi anunciada pelo relator para o julgamento no Plenário da Corte.
Entenda o afastamento
Edvaldo Neto foi afastado da Prefeitura de Cabedelo em decorrência da Operação Cítrico, deflagrada pela Polícia Federal para apurar a atuação de uma suposta organização criminosa voltada a fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e financiamento de facção criminosa.
De acordo com as investigações, o esquema envolvia a contratação fraudulenta de empresas fornecedoras de mão de obra ligadas à facção “Tropa do Amigão”, braço do “Comando Vermelho”. A apuração aponta infiltração de integrantes da facção em estruturas da administração municipal, além da movimentação de recursos públicos em benefício da organização criminosa e o uso de contratos administrativos como ferramenta de manutenção de poder, influência territorial e blindagem institucional.
Segundo a Polícia Federal, o esquema reunia agentes políticos de alto escalão do município, empresários e membros da facção, com o objetivo de manter contratos milionários e distribuir vantagens ilícitas — montante que pode chegar a R$ 270 milhões, conforme estimativa da investigação.
da Redação