Bruno Cunha Lima diz que solução para crise no Açude Velho será apresentada “em poucas semanas”
O prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima (União Brasil), afirmou que a gestão municipal pretende apresentar uma solução “em poucas semanas” para a crise ambiental registrada no Açude Velho, após a retirada de quase 10 toneladas de peixes mortos do principal cartão-postal da cidade. Foi a primeira manifestação pública do prefeito sobre o episódio que, além do impacto ambiental, tem provocado mau cheiro e prejuízos ao comércio no entorno do reservatório.
A declaração ocorreu após uma reunião realizada nessa segunda-feira (12) entre diferentes secretarias municipais para discutir ações emergenciais e estratégias de médio e longo prazo. Entre as medidas imediatas estão a continuidade da limpeza e retirada dos animais mortos. Já entre as ações estruturantes, a prefeitura anunciou a intenção de lançar uma licitação voltada à requalificação do açude.
Segundo Bruno Cunha Lima, o município trabalha na construção de uma solução definitiva com apoio técnico e participação de parceiros, com destaque para a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). A cooperação citada envolve etapas do projeto que buscam viabilizar a dragagem do reservatório, medida considerada essencial para melhorar a qualidade da água e reduzir o acúmulo de sedimentos.
Requalificação e dragagem entram no centro do planejamento
A proposta de requalificação do Açude Velho mira intervenções capazes de atacar o problema recorrente de degradação ambiental do reservatório. Embora seja um símbolo histórico de Campina Grande, o Açude Velho não é utilizado para abastecimento da população e recebe grande carga de água poluída por canais que desaguam na região, o que aumenta a pressão sobre o ecossistema local.
A dragagem, defendida como uma das alternativas em discussão, tem como objetivo remover sedimentos e matéria orgânica acumulados ao longo dos anos no fundo do açude. Esse material favorece a queda do oxigênio na água, intensificando episódios de mortandade de peixes e emissão de odores.
Fenômeno “conhecido” e hipóteses ambientais
O prefeito afirmou que a mortandade de peixes não é um evento inédito e classificou o problema como relacionado à eutrofização, processo em que a água sofre redução dos níveis de oxigênio devido ao aumento da concentração de matéria orgânica e nutrientes.
De acordo com ele, o fenômeno tende a se agravar em períodos de calor intenso, baixa precipitação e redução do volume de água, fatores que elevam a concentração de resíduos e diminuem a disponibilidade de oxigênio, levando à morte de espécies aquáticas.
A explicação reforça a hipótese já apresentada pela prefeitura, que trabalha com a possibilidade de ocorrência de “circulação vertical”, fenômeno natural que provoca o revolvimento das camadas profundas da água. Com isso, material orgânico depositado no fundo — incluindo uma lâmina de esgoto e sedimentos — pode subir à superfície, liberando gases e piorando as condições de oxigenação, o que acelera a mortandade.
Ações emergenciais e uso de aeradores
Enquanto discute as soluções definitivas, a prefeitura mantém uma operação de limpeza contínua no Açude Velho, com retirada do material biológico e destinação em aterro sanitário. Outra medida anunciada é a instalação de aeradores, equipamentos usados para movimentar a água e aumentar a oxigenação, reduzindo o risco de novos episódios.
Segundo a gestão, os aeradores já foram adquiridos e devem entrar em funcionamento assim que houver entrega e instalação. O objetivo é mitigar os efeitos mais imediatos do problema, especialmente o odor e a possibilidade de nova mortandade em grande escala.
Investigação por crime ambiental
Paralelamente às ações municipais, o caso também é alvo de investigação por órgãos de controle e fiscalização. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar a possibilidade de crime ambiental e realiza perícia para verificar se houve ação humana intencional ou algum fator externo agravando o cenário.
O Ministério Público da Paraíba também acompanha o caso por meio de inquérito civil instaurado em 11 de novembro pelo promotor de Meio Ambiente de Campina Grande, Hamilton de Souza Neves. A apuração investiga possíveis despejos irregulares de esgoto no Açude Velho e os impactos sobre o reservatório. A Defensoria Pública da Paraíba também acompanha a situação.
Cartão-postal histórico, mas pressionado pela poluição
Construído em um período de seca extrema e com importância histórica para Campina Grande, o Açude Velho já chegou a ser fonte de abastecimento no passado. Hoje, porém, a cidade é abastecida pelo Açude Epitácio Pessoa, em Boqueirão, enquanto o Açude Velho permanece como espaço turístico e simbólico.
Com a mortandade de peixes e os impactos ambientais visíveis, a situação reacendeu o debate sobre a necessidade de intervenções mais profundas e permanentes para evitar a repetição do problema, que costuma ressurgir em períodos específicos do ano.
A prefeitura afirma que o objetivo é apresentar, em curto prazo, um plano com medidas concretas e execução definida para enfrentar o que classificou como um dos maiores desafios ambientais recentes do município.
da Redação
